INTERCORRÊNCIAS ASSOCIADAS A TERAPIA NUTRICIONAL ENTERAL

  • July Gabriele Freitas Vaz FSG Centro Universitário
  • Mirlayne Ribeiro Santos de Jesus FSG Centro Universitário
  • Amanda Mello FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O aumento na incidência de doenças crônicas não transmissíveis, como a obesidade, é atualmente definido como um grande problema de saúde pública em nível mundial, causando perda de qualidade de vida, associada à limitações e a incapacidade em realizar atividades diárias vitais, gerando diversos impactos na vida do indivíduo portador (IBGE, 2020). Em contrapartida, no âmbito hospitalar, tem-se a desnutrição como maior indicador de preocupações, por estar relacionada com a piora da resposta imunológica, acarretando em aumento dos riscos de infecções, maior tempo de internação e maior índice de mortalidade (BREZINA et al,2020). Visando diminuir estes impactos, dentre os planos de dietas hospitalares, emprega-se a terapia nutricional enteral (TNE), de forma a reduzir estes riscos. Através de sondas ou tubo flexível, pode-se proporcionar ao paciente com dificuldades de deglutição, inadequação nutricional ou problemas relacionados ao trato gastrointestinal um melhor e adequado aporte calórico (LUFT et al, 2008). Neste contexto, o objetivo deste trabalho é revisar as intercorrências mais comuns em TNE. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo de revisão com artigos acadêmicos dos anos de (2008 a 2021). Buscou-se publicações nos sites (Google acadêmico, SciELO e IBGE), no idioma português, através do termo de busca “intercorrências associadas ao uso da terapia nutricional enteral”. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Torna-se notável entre os pacientes hospitalizados a longo prazo ou com diagnóstico de patologias mais complexas, o emagrecimento na forma de desnutrição. Com a nutrição adequada fazendo parte da atenção principal de cuidados para estes pacientes em cuidados intensivos ou em tratamento prolongado, a TNE tem como função aprimorar o fornecimento calórico aos pacientes (SANTOS e ALVES, 2018). Esta terapia deve ser iniciada o mais breve possível para preservar a saúde do indivíduo, porém mesmo fornecendo o aporte calórico necessário nota-se uma grande divergência entre o valor de dieta prescrito e o valor de dieta que realmente é administrado no paciente (MARTINS et al., 2017). Mesmo sendo uma fonte energética de suma importância, quando não recebido o valor calórico adequado, esta terapia pode trazer condições indesejáveis que interferem na saúde para recuperação do paciente. Sendo uma das formas que melhor trata patologias como a desnutrição, a TNE quando interrompida repetitivamente traz diversos malefícios a saúde (CORRÊA et al., 2019). O paciente em uso desta terapia pode apresentar quadro de vômitos recorrentes, diarreia relacionada a intolerância gastrointestinal, distensão abdominal, constipação e complicações clínicas, dependendo do tipo de dieta e ainda, quando não aplicadas as técnicas corretas de lavagem da sonda, pode ocasionar a obstrução, principalmente pela densidade da dieta, causando impactos como a retirada da mesma, a passagem de uma nova sonda e o início de uma nova terapia (SANTOS e ALVES, 2018). Por conta deste processo, além de procedimentos como banho de leito, troca de fraldas ou realização de exames fora do quarto hospitalar, o paciente fica por períodos sem receber o aporte nutricional prescrito, deste modo as pausas recorrentes também trazem impactos negativos para a saúde do paciente, como desidratação, desnutrição e instabilidade glicêmica (DE OLIVEIRA SOUZA e MELO, 2021). De forma a prevenir as intercorrências que podem aparecer causando desidratação e desnutrição, o profissional deve estar sempre atento à quadros de vômitos, diarreia, preconizar o mínimo de tempo levado na execução de procedimentos para que a infusão da dieta não fique muito tempo pausada, estar sempre atento ao risco acidental de deslocação ou retirada da mesma e seguir rigorosamente as normas da instituição quanto a lavagem da sonda para evitar a obstrução da mesma (SILVA, DE CARAVALHO e BARBOSA,2021). CONCLUSÃO: Pode-se concluir que a TNE, mesmo sendo uma forma de terapia aplicada para melhor nutrição do paciente, quando não instituída da forma correta, conforme o prescrito pelo nutricionista, pode trazer e acarretar consequências e condições indesejáveis ao doente. A maioria das complicações podem ser evitadas, desde que toda equipe multidisciplinar obedeça aos protocolos e indicadores de qualidade relacionados a TNE da instituição, para que estes sejam capazes de garantir um tratamento de sucesso ao paciente.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2022-07-11
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido