INTERCORRÊNCIAS EM TERAPIA NUTRICIONAL NO PACIENTE CRÍTICO

BREVE REVISÃO DA LITERATURA

  • Nailane Hoffelder FSG Centro Universitário
  • Rosimary Castro Hanzel FSG Centro Universitário
  • Solismar Kegler de Andrade FSG Centro Universitário
  • Tainara Reginatto Borges FSG Centro Universitário
  • Amanda Mello FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A nutrição do paciente é fundamental, sendo paciente estável ou crítico em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Diversas são as observações para a escolha da dieta adequada, levando em conta as patologias de base, história prévia, bem como os motivos pelo qual o paciente está internado na UTI. Geralmente acontecem intercorrência nutricionais que retardam o início ou a continuidade da dieta como complicações gastrointestinais (JESUS, 2019). Neste contexto, o objetivo deste trabalho foi revisar a literatura sobre as intercorrências mais comuns em terapia nutricional no paciente de UTI. MATERIAL E MÉTODOS: Trata-se de um estudo de revisão com artigos acadêmicos dos anos de 2009 a 2021, que foram pesquisados nos sites Google acadêmico, SciELO, nos idiomas português, através dos termos de busca “dietas nutricionais”, “intercorrências nutricionais”, “intercorrências nutricionais em pacientes críticos”. RESULTADOS E DISCUSSÕES: São considerados pacientes críticos todo e qualquer indivíduo que se encontra em risco iminente de perder a vida, bem como aquele em frágil condição clínica decorrente de trauma (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2011). A Terapia Nutricional (TN) é considerada um procedimento terapêutico para manutenção ou recuperação do estado nutricional do paciente crítico, sendo assim, deve ser iniciada o mais breve possível a fim de preservar a saúde do indivíduo, que já está fragilizada devido a sua situação (MARTINS, 2017). A utilização da TN tem demonstrado inúmeras vantagens para o paciente hospitalizado, como melhora na resposta imunológica, redução de complicações clínicas, medida que tem sido amplamente indicada e tem sido associada a redução da internação hospitalar e mortalidade (NOZAKI, 2009). Pensando em pacientes críticos, que não podem se alimentar por via oral, a administração dos nutrientes é realizada através da utilização de sondas (nasogástricas, orogástricas e nasoentéricas) além de ostomias (gastrostomia e jejunostomia), conforme orientação da equipe nutricional, levando em conta as necessidades nutricionais de cada indivíduo (MARTINS, 2017). Um menor aporte calórico pode trazer inúmeras injúrias aos pacientes, dentre elas o maior risco à desnutrição, sepse e má cicatrização. Já a hiperalimentação, embora com menor frequência, pode levar a problemas como hiperglicemia (MARTINS, 2017). Sabe-se que durante o período inicial da administração da TN enteral, podem haver diversas intercorrências que podem causar a suspensão temporária ou permanente da nutrição (OLIVEIRA, 2010). Uma amostra de dados foi coletada no Hospital Universitário Onofre Lopes, entre janeiro e fevereiro de 2018, onde fatores inerentes ao paciente crítico como instabilidade hemodinâmica, jejuns para procedimentos e exames, obstrução da sonda interferiram na nutrição, sendo as complicações gastrointestinais e a diarréia correspondentes ao maior número de suspensões da oferta de TN, ocorridos em 29,4% dos casos (BARROSO, 2018). No estudo realizado por Therrier et al., (2021), as intercorrências mais significativas estão relacionadas aos seguintes aspectos: problemas mecânicos com a sonda nasoenteral, intolerância com presença de volume residual gástrico, jejum para realização de procedimentos, instabilidade hemodinâmica ou clínica e complicações gastrointestinais. Já outro artigo publicado, com pacientes internados na UTI de um hospital da rede particular e um da rede pública na cidade de Aracaju-Sergipe, em 2018 onde as principais intercorrências para interrupção da dieta foram sintomas gastrointestinais, jejum para procedimentos e falha de procedimentos, 66% dos pacientes avaliados apresentaram complicação gastrointestinal após o início da terapia nutricional (MENEZES, 2018). Em comparação, na UTI do Hospital São José de Doenças Infecciosas (HSJ), intercorrências como resíduo gástrico teve elevada prevalência (47,12%), seguido por pausas para exames (19,23%) e diarreia (7%) (MARTINS, 2017).  CONCLUSÃO: Nos artigos estudados, intercorrências se tratam principalmente de resíduo gástrico, distensão abdominal, pausa para realização de exames, podendo causar hipoglicemias. A oferta inadequada de nutrientes pode inferir no estado nutricional por isso a importância do acompanhamento e monitoramento da terapêutica dietética estabelecida.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2022-07-11
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido