PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS PACIENTES HIV POSITIVOS ATENDIDOS NA DIVISÃO DE VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA NO MUNICÍPIO DE SÃO MARCOS - RS

  • Tainá Cichin da Luz Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Carolina Garrido Zinn

Resumo

INTRODUÇÃO:  Os primeiros casos de Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), começaram a ser relatados no início da década de 1980 e logo se tornaram um problema de saúde pública a nível mundial. No Brasil, o Ministério da Saúde desenvolveu medidas a fim de diminuir a disseminação da doença, como o Programa Nacional de Doenças Sexualmente Transmissíveis e AIDS, e passou a oferecer acesso ao tratamento de forma gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (BRASIL, 2020). Através do uso da terapia antirretroviral foi possível melhorar a qualidade de vida dos pacientes vivendo com o vírus da imunodeficiência humana além de diminuir a disseminação do vírus (BRASIL, 2018). Entretanto, para que estes resultados sejam obtidos é necessária a adesão ao tratamento por parte do paciente (POLEJACK; SEIDL, 2010). OBJETIVO: Estabelecer o perfil dos pacientes vinculados à Divisão de Vigilância Epidemiológica do Município de São Marcos – RS, quanto aos fatores associados e relacioná-los com a adesão ao tratamento, a carga viral e os óbitos. MATERIAIS E MÉTODOS: Estudo retrospectivo observacional, realizado na cidade de São Marcos, no Departamento de Vigilância Epidemiológica, com base nos dados apresentados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação e em prontuários físicos que se encontram no setor, de 1986 a julho de 2020. O estudo recebeu aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Centro Universitário da Serra Gaúcha (CEP), sob parecer nº 4.272.882 e CAAE nº 35544320.3.0000.5668. Todos os cuidados foram tomados para garantir a segurança de sigilo e confidencialidade das informações obtidas. RESULTADOS: O primeiro caso de HIV notificado no município ocorreu no ano de 2002, sendo notificados até 2010 outros 27 casos. Já no período de 2011 a julho de 2020, 70 casos foram notificados, tendo sido observado um aumento de mais de 200% na taxa de detecção. Os dados disponibilizados pelo boletim epidemiológico de 2019 do Ministério da Saúde, apontaram uma diminuição na taxa de detecção a nível nacional, processo contrário ao que tem se observado no município estudado. Quando comparados os dados nacionais e estaduais, observa-se que a taxa de detecção do município é superior as demais, sendo no ano de 2018, a taxa nacional era de 17,8/100.000 habitantes, na região sul 22,8/100.000 habitantes e no estado do Rio Grande do Sul 27,2/100.000 habitantes, enquanto o município de São Marcos apresentou taxa de 46,2/100.000 habitantes (BRASIL, 2019).  Durante o período analisado foram notificados 98 pacientes. O perfil destes é composto por 57,1% de homens e 42,9% de mulheres, com forma de exposição mais prevalente a via sexual/heterossexual, dados estes que estão interligados, visto que quanto maior a taxa de transmissão heterossexual, mais mulheres podem ser afetadas (BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001). A faixa etária de maior prevalência é dos 20 a 39 anos, dados que corroboram com os do Ministério da Saúde e com estudos realizados em outras regiões brasileiras, como o de Vieira e colaboradores realizado em Rondônia. Estes dados podem ser justificados devido a esta ser a faixa etária que tende a ser mais sexualmente ativa (VIEIRA et. al, 2015). Com relação à escolaridade, a maior frequência foi de indivíduos que tinham o ensino fundamental incompleto, dado que também foi encontrado nos estudos de Abreu e colaboradores, e Vieira e colaboradores. Este dado demonstra o processo de pauperização da doença, já citado por outros autores (ABREU et. al 2016; BRITO; CASTILHO; SZWARCWALD, 2001; VIEIRA et. al. 2015). Porém, nesta variável observou-se um elevado número de dados ignorados (18,4%) fato este que prejudica a real análise dos dados.  A coinfecção HIV-Sífilis foi a foi a que apresentou taxa mais elevada neste estudo, com 15,3%, dado que se assemelha com um estudo realizado em Vitória/ES, onde a prevalência foi de 18,9%. No presente estudo não foi encontrada associação com a baixa adesão ao tratamento e a presença desta coinfecção. Alguns autores sugerem que a alta taxa de coinfecção HIV-sífilis é mais provavelmente causada por fatores comportamentais, como sexo desprotegido, do que por fatores imunológicos (CALLEGARI et. al, 2014; HE et al. 2014). Dos pacientes que utilizam a vigilância epidemiológica para retirar sua medicação, a grande maioria tem boa adesão ao tratamento e possui carga viral não detectável. CONCLUSÕES: Por meio do presente estudo foi possível observar o aumento dos casos durante os últimos anos e estabelecer o perfil epidemiológico destes pacientes, comparando com dados nacionais e regionais que corroboram com o processo de interiorização, feminização, pauperização e heterossexualização da epidemia.

Publicado
2022-07-12
Seção
Saúde e Ciências Agroveterinárias - Resumo Expandido