DA ADMINISTRAÇÃO EMPRESARIAL AO CAMPO DA EDUCAÇÃO

A INOVAÇÃO EM TENSÃO DISCURSIVA

  • Fabiola Ponzoni Balzan FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Impulsionado pela pandemia Covid-19 e pelo uso repentino de aulas síncronas e assíncronas via plataformas digitais, o tema da inovação está, recorrentemente, presente no Ensino Superior. Ao mesmo tempo em que acusamos a presença, a permanência e a idolatria de todos por esse tema, apontamos para mais uma presença. Essa voltada ao seu contrário: marcamos a presença pela falta de definição do que possa ser concebido como atividade inovadora na Educação (TAVARES, 2019). Esta pesquisa de Pós-doutorado, em andamento na UFRGS, problematiza o discurso pedagógico sobre o item lexical inovação empregado no campo da Educação, mais especificamente, no Ensino Superior - curso de Pedagogia em uma Instituição privada, localizada na região nordeste do estado do Rio Grande do Sul. O suporte teórico-metodológico é a Análise de Discurso materialista (PÊCHEUX, 2008). Analistas de discurso interrogam como estão sendo feitas as narrações dos sujeitos e dos discursos, atualmente, através de uma postura epistemologicamente questionadora, visando à produção de sentidos. Portanto, seu trabalho é o de interpretação, é o de olhar, com estranhamento, para o que está aí como se fosse já dado e acabado. Não concebemos, portanto, a língua transparente, tampouco operamos com a busca de uma intencionalidade do autor (PÊCHEUX, 1995). Propondo um diálogo com a área da Educação, a referida pesquisa busca: a) caracterizar os discursos fundadores que se servem do conceito de inovação; b) estabelecer relações entre os contextos históricos discursivos em que o item lexical inovação é empregado e os objetivos que norteiam seu emprego em determinados contextos históricos e  c) caracterizar o modo como o item lexical inovação trabalha no interior da formação discursiva didático-pedagógica da IES. Elegemos para o início deste estudo, a lexicografia, nos domínios da Análise de Discurso (ORLANDI, 2000). É na dialética entre as práticas de registro e de cristalização da significação das palavras que é exposto como as palavras trabalham nos acontecimentos. Assim é possível pensar o trabalho dos sentidos da linguagem nos limiares dos registros dos dicionários (físicos e digitais). Essa tecnologia linguística atende ao desejo dos humanos de compreender a língua e de, supostamente, dominá-la. A sua construção visa aos seus objetivos e ao seu público, contribuindo, desta forma, para a composição de sua proposta lexicográfica. Percebe-se, dessa forma, a construção do sentido de um discurso a cada nova ocorrência, conforme suas condições de produção. Os próximos passos da pesquisa dirigem-se às entrevistas semiestruturadas com gestores e professores para, então, analisarmos o documento intitulado Tese de Inovação, emitida pela IES. Como resultados parciais, uma vez que a pesquisa ainda está em desenvolvimento, registramos a nossa observação dirigida a como se projetam, nos dicionários, uma representação da língua pelos índices do modo como os sujeitos, afetados pelo político, produzem e utilizam a língua, conferindo sentidos às palavras. Nos dicionários físicos, encontramos a formatação típica composta por origem etimológica, classificação e acepções vagas e abrangentes, por assim poderem se referir às diferentes áreas de conhecimento. Notamos a repetição das mesmas acepções. Em nenhuma obra consultada confrontamo-nos com referências aos processos educativos. E, ao acusarmos a falta, evidenciamos nosso desejo de presença. Estabelecemos um processo de questionamento: por que houve este silenciamento?  Não podemos deixar que destacar que há pequenas brechas, rupturas nas acepções dos dicionários físicos consultados. Elas podem ser observadas quando há referências às formações discursivas de alguns campos do conhecimento como à Linguística, à Biologia e ao Direito. Já nos dicionários digitais, verificamos que a forma com que as acepções foram registradas, aproximam-se da informalidade, sem referência à etimologia ou às categorias linguísticas – expediente próprio dos dicionários físicos. Neste grupo de dicionários, verificou-se a presença de conceitos mais específicos e com maior extensão e de citações de autores clássicos e das áreas anunciadas desde o título das obras. Em relação ao campo da Educação, destaca-se as referências à Epistemologia. Por fim, nota-se a presença da paráfrase e da polissemia. Se sentidos se repetem e se fixam, pelo funcionamento da repetição, no movimento da história, há possibilidades do sentido poder deslocar-se. Então, a polissemia atesta a incompletude, a abertura do discurso e por estar exposto ao equívoco, todo enunciado pode vir a ser outro, passando a se (re)significar na/pela diferença.  

Publicado
2023-07-18
Seção
I SIMPÓSIO DE CIÊNCIA E DESENVOLVIMENTO (2022-BG)