A SUSTENTABILIDADE E OS PROBLEMAS SOCIOAMBIENTAIS NA SOCIEDADE CONSUMOCENTRISTA

  • Cleide Calgaro Universidade de Caxias do Sul
  • Agostinho Oli Koppe Pereira Universidade de Passo Fundo - UPF
  • Talissa Truccolo Reato Universidade de Caxias do Sul

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. No presente trabalho, os Autores propõem  um estudo sobre os problemas socioambientais na sociedade de consumo e verificar como é possível a sustentabilidade. A sociedade capitalista de consumo é nefasta e  predatória e não concretiza a sustentabilidade e seus pilares e, nesse viés, o sistema é gerador de problemas  socioambientais e não auxilia em sua minimização. MATERIAL E MÉTODOS. O método é o analítico, pautado em pesquisa bibliográfica.  RESULTADOS E DISCUSSÕES. A sociedade de consumo vive em crise, que é advinda da forma que se administra as relações de progresso e capital.  O  sistema predatório, somente beneficiando alguns indivíduos, em detrimento de muitos e do meio ambiente. Nesse contexto, surgem os problemas ambientais em larga escala, como por exemplo: as mudanças climáticas, a extinção de espécies, a escassez da água, entre outros. No outro lado – o social - se tem os problemas sociais, sendo eles: desigualdade e exclusão social, pobreza – representada pela falta de alimentos, água, moradia, vestimentos – ou seja, itens básicos à sobrevivência humana.  Tudo isso provocado pela concentração de renda,  geração de resíduos, poluição da terra, do ar e das águas, As Nações Unidas constituíram os pilares para a sustentabilidade, através do desenvolvimento sustentável, sendo eles: econômico, social e ambiental. Os mesmos deveriam andar juntos e em harmonia, mas na prática isso não acontece, visto que o pilar econômico acaba imperando na sociedade. Pode-se dizer que essa sociedade é uma sociedade que vai além do consumo exagerado, é uma sociedade consumocentrista. A sociedade consumocentista é caracterizada pelo  consumo no centro da mesma. Pereira, Calgaro e Pereira entendem que “o consumo se coloca no centro de todas as decisões que envolvem o indivíduo, pois o mesmo perde sua identidade como ser que participa das decisões sociais para se transformar (apenas) em consumidor heteronomamente guiado”. (PEREIRA; CALGARO; PEREIRA, 2016, p. 267). Os autores “entende-se que se ultrapassou a denominada sociedade hiperconsumista, dando azo a uma sociedade consumocentrista. Nesse viés, o consumo passa a ser o elemento principal das atividades humanas, deslocando o ser para o ter e, posteriormente, para o aparentar” (PEREIRA; CALGARO; PEREIRA, 2016, p. 267). Portanto, “o consumo se torna o centro da sociedade contemporânea, onde o consumidor vai buscar todas as possibilidades de sua nova razão de viver. Consumir é existir”. (PEREIRA; CALGARO; PEREIRA, 2016, p. 267).  CONCLUSÃO. A mudança de racionalidade é fundamental, visto que, sem ela, não se consegue atingir os pilares da sustentabilidade. É preciso rever  o modo de consumo, sendo que a sociedade consumocentrista adestra e dociliza o cidadão, que não pensa nos problemas socioambientais que são tão prementes na atualidade. A intensificação de proteção do meio ambiente e de seus ciclos vitais e da criação de políticas públicas capazes de retirar os seres humanos das  condições de pobreza extrema é importante para que, realmente, se tenha uma sociedade livre justa e solidária.

 

REFERÊNCIAS

LEFF, Enrique.  Epistemologia ambiental. Tradução Sandra Valenzuela. São Paulo: Cortez, 2002.

LEFF, Enrique.  Saber ambiental: sustentabilidade, racionalidade, complexidade e poder. Tradução Lúcia M. E. Orth. Rio de Janeiro: Vozes, 2001.

NALINI, José Renato. Ética Ambiental. Campinas: Millennium, 2001.

PEREIRA, Agostinho Oli Koppe; CALGARO, Cleide; PEREIRA, Henrique Mioranza Koppe. Consumocentrismo e os seus reflexos socioambientais na sociedade contemporânea. Revista Direito Ambiental e Sociedade, v. 6, p. 264-279, 2016.

 

Biografia do Autor

Cleide Calgaro, Universidade de Caxias do Sul

Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Atualmente é Professora da Graduação e Pós-Graduação - Mestrado e Doutorado - em Direito na Universidade de Caxias do Sul - UCS. É Líder do Grupo de Pesquisa “Metamorfose Jurídica” da Universidade de Caxias do Sul-UCS. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1840-9598. CV: http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail: ccalgaro1@hotmail.com

Agostinho Oli Koppe Pereira, Universidade de Passo Fundo - UPF

Doutor em Direito. Professor colaborador do Mestrado em Direito da UPF

Talissa Truccolo Reato, Universidade de Caxias do Sul

Doutora em Direito.

Publicado
2021-07-27
Seção
Responsabilidade Social: desempenho socioambiental, economia inclusiva economia solidária