CONTAGEM TOTAL DE LINFÓCITOS PARA AVALIAR ESTADO NUTRICIONAL DE PACIENTES ONCOLÓGICOS

UMA ABORDAGEM GERAL

  • Joana Zanotti FSG
  • Ana Paula de Lima FSG Centro Universitário
  • Natália Cristina Pezzi FSG Centro Universitário
  • Silvia Sbravatti FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O câncer pode ser caracterizado como crescimento caótico de células, que podem acometer variados tecidos e órgãos (INCA, 2019). Caracterizado como uma doença crônica não transmissível e responsável por incontáveis processos de mudanças no metabolismo, afeta indivíduos de todas as faixas etárias. A prevalência do câncer é de alta incidência mundial e caráter multifatorial. Em 2018, uma em cada seis mortes no mundo foram relacionadas com esse grupo de patologias (COSTA et al., 2020). Os pacientes que são diagnosticados com câncer estão sujeitos a doenças nutricionais como desnutrição, a qual pode comprometer a qualidade de vida durante o tratamento. Portanto, a avaliação acurada do estado nutricional é de extrema importância (PULIDO et al., 2018). Além disso, o sistema imunológico, que é responsável pela ação frente ao agente invasor, também responde ao combate de possíveis células cancerígenas presentes no homem. Dentre essas células, destacam-se os linfócitos, responsáveis pelo ataque a células oncogênicas ou malignas, inclusive podendo conter o avanço das mesmas (BORTONCELLO et al., 2013; TORRES et al., 2016). Com o estado nutricional debilitado, a produção das células de defesa torna-se menor e a contagem total de linfócitos (CTL) demonstra as condições do mecanismo de proteção celular do organismo, podendo ser associada ao seu estado nutricional (SAMPAIO et al., 2012). Diante do exposto, o objetivo desse estudo é informar o viés da contagem total de linfócitos para avaliar estado nutricional de pacientes oncológicos. MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo consiste em uma revisão de literatura, realizada por um levantamento bibliográfico das bases de dados Pubmed, Google Acadêmico e Scielo, sobre a CTL em pacientes oncológicos. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Estudo realizado pelo Inquérito Brasileiro de Avaliação Nutricional (IBRANUTRI), inferiu que pacientes internados com diagnóstico de câncer têm três vezes maior desnutrição que os demais (TARTARI, 2010). Ademais, pacientes ambulatoriais também estão sujeitos, visto que a ocorrência de desnutrição pode corresponder em 40% a 80% de todos os indivíduos com a patologia, estando relacionada com o estágio e localização do câncer (COLLING, 2012). Observou-se em demasiados estudos que o estado nutricional está relacionado com a produção das células do sistema imunológico do paciente, como os linfócitos, cujo a condição do estado nutricional interfere na CTL. Essa relação está altamente relacionada com estado nutricional dos pacientes desnutridos e, até mesmo, desnutridos graves. A CTL pode contribuir para detectar o estado nutricional do paciente oncológico, pois quanto pior o estado nutricional, menores são os níveis dessas células no organismo dos indivíduos. Ademais, a CTL com níveis depletados, está associada com a identificação de riscos nutricionais, também pode estar relacionado com maior tempo de internação hospitalar, maiores chances de complicações pós-operatórias e maior taxa de mortalidade em pacientes diagnosticados com carcinomas (DOS et al., 2016; POZIOMYCK et al., 2017). Nesse contexto, alguns estudos a fim de verificar o grau de depleção do indivíduo internado utilizaram a CTL. No estudo de Brito, pacientes institucionalizados no sudoeste da Bahia, apresentaram 42,3% da amostra em depleção grave, 11,5% depleção moderada e 30,8% depleção leve. Em contrapartida, outra pesquisa de Rosa, aplicada em um hospital geral, 19,6% da amostra apresentou depleção moderada e 13,7% depleção grave (BRITO, 2012; ROSA et al., 2014). Esses dois estudos evidenciam que a CTL pode ser um marcador efetivo do estado nutricional, medindo as reservas imunologias iniciais e indicando a relação momentânea do organismo com a interferência do estado nutricional. Por conseguinte, quando associado a outras abordagens é de extrema eficiência e corrobora para uma melhor e mais precoce detecção do estado nutricional do paciente oncológico hospitalizado e, por fim, pode também auxiliar na escolha da intervenção nutricional mais adequada. CONCLUSÃO: Diante do exposto, a CTL é uma abordagem de fácil acesso, pois a maioria dos pacientes realizam o leucograma com frequência, não elevando os custos da internação. Esse exame bioquímico, pode ser utilizado como marcador do estado nutricional do indivíduo diagnosticado com câncer, auxiliando na avaliação e na busca por uma melhor e mais precoce intervenção nutricional que atenda todas as necessidades nutricionais do indivíduo.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-07-27
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental