GESTÃO DE RESÍDUOS DURANTE A PANDEMIA DO COVID-19

  • Jéssica Franciele Schimitt FSG Centro Universitário
  • Júlia Mayumi Maciel Hada FSG Centro Universitário
  • Patrícia Carvalho Piva FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O novo coronavírus (SARS-CoV-2), o agente de Covid-19, surgiu pela primeira vez em Wuhan, Província de Hubei, China, no final de dezembro de 2019, provavelmente originado de uma fonte animal e causando a síndrome do desconforto respiratório agudo (ZHU et al., 2020). O uso de equipamentos de proteção individual (EPI) tornou-se essencial para prevenir a infecção de profissionais de saúde da linha de frente, tratando pacientes assintomáticos e sintomáticos, e para permitir o funcionamento contínuo de sistemas nacionais de saúde (PRATA et al., 2020). A pandemia de Covid-19 e as políticas governamentais para conter a disseminação do vírus causaram uma recessão econômica global e geraram uma enorme quantidade de lixo hospitalar, fortemente influenciada por equipamentos de proteção individual (EPI) à base de plástico descartável e também plásticos descartáveis ​​de compras online para a maioria das necessidades básicas. A geração de resíduos durante a pandemia, especialmente EPIs descartados e plásticos de uso único, tem gerado uma crise ambiental e de saúde pública em todo o mundo, essencialmente nos países com economias em desenvolvimento e aqueles em transição (SINGH, TANG, OGUNSEITAN; 2020). Desta forma, o objetivo deste trabalho é investigar a gestão de resíduos durante a pandemia de Covid-19. MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo consiste em uma revisão de literatura, realizada por um levantamento bibliográfico das bases de dados Pubmed e Google Acadêmico, com publicações de 2020 a 2021, sobre a gestão de resíduos durante a pandemia de Covid 19. RESULTADOS E DISCUSSÕES: O início da pandemia Covid-19 levou à instituição de medidas de distanciamento que desencadearam a compra excessiva de alimentos, papéis higiênicos, máscaras faciais, luvas, produtos de limpeza e desinfetantes para as mãos à base de álcool 70% (SARKODIE & OWUSU, 2020). Esse pânico de compra aumentou o descarte de produtos perecíveis e sobras, o que acabou gerando toneladas de resíduos. Apenas em 15 países na África, o total de máscaras faciais por dia é relatado como 586.833.053 com base na taxa de aceitação de 80% e uma média de 2 máscaras faciais diárias per capita (NZEDIEGWU & CHANG, 2020). Os dados mais recentes sobre resíduos hospitalares no Brasil apontam capacidade instalada de tratamento de 479.653 toneladas/ano, e produção anual de 252.948 toneladas, sendo 63,8% desse montante devidamente tratado (ABRELPE, 2020). A capacidade nacional de eliminação de resíduos médicos da China aumentou para 6.066,8 toneladas/dia em 21 de março de 2020, em comparação com 4.902,8 toneladas/dia antes da pandemia. Na cidade de Wuhan, foi para 265,6 toneladas/dia de 50 toneladas/dia antes da pandemia (CHEN & GUO, 2020). Os principais resultados da experiência e lições da gestão de resíduos médicos durante o surto COVID-19 em Wuhan foram: o desenvolvimento de um modo de descarte abrangente que inclui a combinação de descarte centralizado e descarte de emergência local de resíduos médicos. Esse processo levou todos os distritos da cidade a utilizar os diversos equipamentos de descarte de emergência, como aparelhos de incineração, equipamentos móveis de tratamento, fornos domésticos de incineração e fornos industriais para descarte de resíduos hospitalares (SING et al., 2020). Em contrapartida no Brasil, em junho de 2020 como medida para evitar a transmissão do SARS-COV-2 em centros de reciclagem, 14 de 30 cidades suspenderam os programas de reciclagem. Em São Paulo, a maior cidade da América Latina, o programa de reciclagem não foi suspenso, mas apenas a segregação automatizada estava funcionando. Houve importante perda de receita com a suspensão de programas de reciclagem por meio da coleta seletiva manual em centros de reciclagem, embora essa medida tivesse o objetivo de salvaguardar a saúde pública (URBAN & NAKADA, 2021). CONCLUSÃO: Em síntese, a pandemia aumentou a geração de resíduos, trazendo desafios para diversos países. Na China, houve a implementação de um novo modo de descarte mais abrangente, que trouxe melhoria na gestão de resíduos no país, mas no Brasil, o problema só foi agravado pela suspensão do programa de reciclagem, e não ocorreu nenhuma melhoria ou implementação na gestão de resíduos. Dessa forma, mostra-se necessário a conscientização sobre o excesso de resíduos e o aumento de recursos para aperfeiçoar a gestão de resíduos no Brasil.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-07-26
Seção
Gestão Ambiental Pública e Privada: gestão ambiental, certificações ambientais, avaliação de impactos resultantes ...