PERFIL NUTRICIONAL DE PACIENTES ATENDIDOS EM UM PROJETO DE REABILITAÇÃO CARDIOPULMONAR PÓS COVID-19 NA CIDADE DE CAXIAS DO SUL/RS

  • Juliana Rauta Drum FSG Centro Universitário
  • Bianca Fornasier de Cordova FSG Centro Universitário
  • Vanessa Comerlatto FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG

Resumo

INTRODUÇÃO/REFERENCIAL TEÓRICO: A Covid-19, doença respiratória aguda causada por um vírus altamente transmissível e patogênico, SARS-CoV-2, foi descoberta no final de 2019 na China e se espalhou rapidamente pelo mundo, e em março de 2020, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou uma pandemia (HU et al., 2020). Até 10 de abril de 2021, foram contabilizados 351.334 óbitos pela doença no Brasil, sendo o segundo país com mais casos no mundo (BRASIL, 2021; WHO, 2021). De acordo com a OMS, alguns indivíduos que tiveram Covid-19 continuam apresentando sintomas, como fadiga, sintomas respiratórios e neurológicos, quer tenham sido hospitalizados ou não (WHO, 2021). Estudos que analisaram o impacto da síndrome respiratória aguda grave (SARS) observaram comprometimento na função pulmonar de 23% dos pacientes em 1 ano de acompanhamento, e o tratamento médico intensivo para quadros críticos de Covid-19 leva estas pessoas a um alto risco de desenvolver fraqueza, sendo necessário encaminhar aqueles com sintomas importantes a programas de reabilitação (GRIGOLETTO et al., 2020). Indivíduos com Covid-19 desnutridos podem ter o quadro de desnutrição exacerbado, bem como pessoas previamente bem nutridas podem apresentar risco de desnutrição devido ao aumento das necessidades nutricionais relacionadas à infecção. A desnutrição deve ser considerada como a incapacidade de manter uma correta composição corporal e massa muscular, independente do índice de massa corporal (IMC), sendo assim, pacientes obesos também devem ser considerados. Alguns fatores associados à patologia podem interferir na ingestão dietética, como problemas respiratórios, mudança no paladar e olfato, fadiga, fraqueza e isolamento social. Sendo assim, indivíduos que receberam alta hospitalar podem demandar de reabilitação nutricional (MALNUTRITION PATHWAY, 2020; BRUGLIERA et al., 2020). Com base nessas informações, o objetivo desse estudo foi avaliar o perfil nutricional de pacientes atendidos em um projeto de reabilitação cardiopulmonar pós Covid-19 na cidade de Caxias do Sul – RS. MATERIAL E MÉTODOS: O presente trabalho faz parte de uma atividade extensionista, com amostra obtida por conveniência, tendo como participantes indivíduos pós Covid-19 atendidos no ambulatório de nutrição. As variáveis utilizadas para avaliação do estado nutricional foram peso (kg) e estatura (m), a partir disso foi avaliado o IMC (peso/estatura²), onde <18,4 kg/m² indica magreza, 18,5 a 24,9 kg/m² indica eutrofia e >25 kg/m² indica excesso de peso para adultos (OMS,1998). Foi aferida a circunferência da panturrilha (cm), avaliando baixa reserva muscular para homens < 34cm e para mulheres < 33cm (BARBOSA-SILVA et al., 2016). A circunferência da cintura e do quadril também foram utilizadas para a avaliação da Razão Cintura Quadril (RCQ), onde para mulheres > 0,85 indica risco de doenças cardiovasculares e para homens >1,0 (OMS, 1998). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados 8 pacientes, sendo 6 do sexo feminino e 2 do sexo masculino, com idade entre 23 e 63 anos (idade média 50,5 anos). Em relação ao IMC, apenas 1 paciente apresentou peso adequado, enquanto os demais encontraram-se acima do peso, sendo IMC médio da amostra de 36,0kg/m2. Levando em consideração a RCQ, os dois pacientes do sexo masculino não indicaram risco para doenças cardiovasculares (DCV), entretanto, os valores encontraram-se muito próximos do limite. Todas as mulheres demonstraram risco. Sobre a CP, apenas um paciente do sexo feminino demonstrou baixa reserva muscular (média 40,28cm). A gordura corporal foi avaliada no estudo de Chan et al. (2018), que examinou pacientes sobreviventes no ano seguinte à Síndrome do Desconforto Respiratório Agudo e identificou ganho de massa gorda nesses pacientes (CHAN et al., 2018). O peso foi um fator considerado por Filippo et al. (2021) em um estudo de coorte realizado na Itália, onde foram avaliados 213 pacientes diagnosticados com Covid-19 durante a internação e em média 3 semanas após a alta, identificou-se que 70% apresentavam sobrepeso ou obesidade inicialmente, e que após a alta, 29% dos indivíduos apresentaram perda de peso >5% em relação ao peso inicial. Constatou-se que a avaliação, o aconselhamento e o tratamento nutricional devem ser realizados também após a remissão clínica do paciente (FILIPPO et al., 2021). CONCLUSÃO: A partir dessa pesquisa com pacientes pós Covid-19, encontrou-se alto índice de excesso de peso e elevado risco para DCV de acordo com a RCQ. São necessários outros estudos com maior número de indivíduos estudados para dados mais conclusivos.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2021-07-27
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental