SMART CITIES

PADRÕES TÉCNICOS E SUSTENTABILIDADE

  • Cleide Calgaro Universidade de Caxias do Sul
  • Natália Eliana Ritter Senac- Escola de Ensino Médio

Resumo

INTRODUÇÃO: O modelo de cidade sem planejamento está passando por crises em diversos setores como: sociais, como a pobreza, a desigualdade e escassez de moradia; ambiental, poluição e falta de saneamento básico, como a de esgoto e de água, gerando assim muitos problemas socioambientais; e econômicos, como a especulação imobiliária. A transformação das cidades tradicionais em inteligentes é uma condição que chegou para ficar. A evolução desse conceito abre portas para efetivar os objetivos do desenvolvimento sustentável, baseando-se nos pilares econômicos, sociais, ambientais e de governança. Silva e Romero (2013) destacam o papel da governança na gestão das cidades sustentáveis, que migram de um metabolismo linear que consome e polui em maior volume para outro, circular, que minimiza a entrada de energia, recursos e materiais, reduzindo substancialmente a geração de resíduos e poluentes. As smart cities adotam tecnologias de informação e comunicação para aprimorar a qualidade de vida dos seus cidadãos, pensando na economia, no transporte, na gestão do tráfego e no meio ambiente. Para Lourensi et al (2020) em sintonia com Ismagilova et al (2019), os principais aspectos a serem avaliados, nesse contexto, são: mobilidade, vida, ambiente, cidadãos, governo e tecnologia. Caragliu et al (2011) adiciona a estes aspectos, a educação. Para caracterizar as smart cities são necessários padrões técnicos que, segundo Lai et al (2020), irão garantir segurança, acessibilidade, equidade e proteção para os cidadãos e a gerência dessas informações. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O modelo de governança nas cidades atuais e a mobilidade urbana estão sendo insuficiente para o modo de vida e de preocupação ambiental. A utilização da tecnologia e de dados, juntamente com o uso de produção sustentável pode ser uma alternativa que impacte a economia criando viés de economia criativa e circular. Visa, também, interligar a ideia constitucional de bem-estar, sociedade justa e solidária (Constituição Federal, 1988). As cidades que utilizam a tecnologia ao seu favor, ou seja, smart cities, conjugam o desenvolvimento social e o meio ambiente, se preocupando principalmente com a produção sustentável e com a economia colaborativa. É necessário que se pense nos enfrentamentos às problemáticas como a pobreza e desigualdade juntamente como os problemas ambientais surgidas nas cidades, como a poluição e a degradação de recursos naturais (CALGARO, 2020). Dentre as maiores organizações e agências governamentais que definem as smart cities em cada região do mundo, a Associação das Nações Unidas do Sudeste Asiático: oferece soluções tecnológicas e digitais, bem como meios não tecnológicos inovadores para enfrentar os desafios urbanos. Já para a Instituição Britânica, uma cidade inteligente é a integração eficaz de sistemas físicos, digitais e humanos no ambiente construído para proporcionar um futuro sustentável, próspero e inclusivo para seus cidadãos, enquanto o  Departamento de negócios, inovações e habilidades do Reino Unido, reúne infraestrutura sólida, capital social incluindo habilidades locais e instituições comunitárias e tecnológicas para fomentar o desenvolvimento econômico sustentável e fornece um ambiente atraente para todos. A Comissão Europeia, a Comissão Eletrotécnica Internacional e a Aliança de Comunidade Inteligente do Japão, neste contexto, conectam as redes e serviços tradicionais tornando-os mais eficientes com a utilização de tecnologias digitais e de telecomunicação para benefício dos seus habitantes e empresas. Destaca-se a similaridade das agências no que tange: melhoria dos padrões de vida ao tomar decisões informadas com tecnologias avançadas; sistemas interligados para a troca de informações e comunicação; cidadãos bem-informados; sustentabilidade e preservação do meio ambiente devem ser maximizadas. Os padrões Internacionais das Smart Cities podem ser usados para comparar desempenhos funcionais e técnicos. Os padrões garantem que as tecnologias sejam eficientes, seguras e bem integradas e para tanto é necessário normatizar procedimentos e avaliações, como pela Norma ISO (Intenational Organization for Standardization - organização não governamental e independente global com 164 organismos nacionais de normalização que visa minimizar a diversidade nas definições técnicas), IEC (International Electrotechnical Commission - base e publicação de padrões internacionais para tecnologias eletrônicos, elétricos e relevantes) e a  ITU (International Telecommunication Union - agência das Nações Unidas para ICT que permite a conectividade de redes de comunicação e gerencia órbitas de satélites internacionais). A partir do exposto, os padrões técnicos para a definição de smart cities contemplam: energia ( medidas de erros, emissões, capacidade energética, uso de energias renováveis e de fonte verde, uso da inteligência artificial para detecção de perdas e controle de transmissão com segurança), saúde (uso de impressão 3D para serviços médicos, programas para avalição de diabetes e doenças vasculares, uso de tecnologias para substituir equipamentos analógicos, rede de comunicação de dados entre centros de saúde), mobilidade e transporte (monitoramento e câmeras com boa resolução, assistência a motoristas, integração de dados e câmeras, sistema de monitoramento e desenvolvimento de baterias e equipamentos usados na mobilidade urbana), educação (uso de plataformas de educação para estimular a aprendizagem, uso de laboratórios online e de realidade aumentada e virtual) e governança (validar o acesso, coletar, compartilhar, utilizar, armazenar dados de funcionários, alunos e empresas parceiras e também a prestação de contas responsável, transparente e com redução de preconceitos) (LAI,2020). MATERIAL E MÉTODOS: O método utilizado é o analítico, pautando-se em uma apreciação documental e bibliográfica sobre o tema envolvendo a problemática dos padrões técnicos e sustentabilidade nas smart cities.  CONCLUSÃO: Percebe-se que os padrões técnicos para a definição de smart cities confere equidade na categorização das cidades. Energia, saúde, educação, governança e mobilidade são os principais critérios avaliados.

REFERÊNCIAS

CALGARO, C. Smart cities como alternativa para minimizar os problemas socioambientais das cidades brasileiras. Revista de Direito Urbanístico, Cidade e Alteridade6(2), 114-129, 2020.

CARAGLIU, ANDREA; DEL BO, CHIARA; NIJKAMP, PETER. Smart cities in Europe. Journal of urban technology, v. 18, n. 2, p. 65-82, 2011.

LAI, C. S., JIA, Y., DONG, Z., WANG, D., TAO, Y., LAI, Q. H., LAI, L. L. A review of technical standards for smart cities. Clean Technologies2(3), 290-310, 2020.

LOURENSI, L.I; REINIGER, R.P.; LÉON, M.E.S.; RIBEIRO, C.C.S. Smart cities: uma tendência que veio para ficar. Revista da 14 Mostra de Projetos de Extensão Comunitários e Integradores. Urcamp, 2020.

Biografia do Autor

Cleide Calgaro, Universidade de Caxias do Sul

Pós-Doutora em Filosofia e em Direito ambos pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Ciências Sociais na Universidade do Vale do Rio dos Sinos - UNISINOS. Doutora em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUCRS. Doutora em Direito pela Universidade de Santa Cruz do Sul – UNISC. Atualmente é Professora da Graduação e Pós-Graduação - Mestrado e Doutorado - em Direito na Universidade de Caxias do Sul - UCS. É Líder do Grupo de Pesquisa “Metamorfose Jurídica” da Universidade de Caxias do Sul-UCS. Orcid: https://orcid.org/0000-0002-1840-9598. CV: http://lattes.cnpq.br/8547639191475261. E-mail: ccalgaro1@hotmail.com

Natália Eliana Ritter, Senac- Escola de Ensino Médio

aula do ensino médio do Senac- Escola de Ensino Médio

Publicado
2021-07-27
Seção
Responsabilidade Social: desempenho socioambiental, economia inclusiva economia solidária