EFEITOS DA UTILIZAÇÃO DA MÚSICA COMO FATOR AMBIENTAL FACILITADOR DURANTE O ATENDIMENTO FISIOTERAPÊUTICO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES COM PARALISIA CEREBRAL

UMA REVISÃO

  • Júlia Masiero Cardoso
  • Kamilly Noronha da Silva
  • Carla Skilhan de Almeida
  • Renata D`Agostini Nicolini-Panisson Centro Universitário da Serra Gaúcha/ Professora Doutora Coordenadora do Grupo de Pesquisa em Reabilitação

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Segundo o Ministério da Saúde (2020), Paralisia Cerebral se define como: “deficiência mais comum da infância, caracterizada por alterações neurológicas permanentes que afetam o desenvolvimento motor e cognitivo, envolvendo o movimento e a postura do corpo” (ROSENBAUM & STEWART, 2004). Já no Manual Prático da CIF (2013), a Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) é caracterizada como um modelo para a organização e documentação de informações sobre funcionalidade e incapacidade (WORLD HEALTH OGANIZATION, 2001). A criação da CIF alterou o raciocínio clínico, priorizando a funcionalidade dos indivíduos, surgindo um modelo teórico para nortear a prática clínica. A funcionalidade de um indivíduo em um domínio específico reflete uma interação entre a condição de saúde e o contexto: fatores ambientais e pessoais. Há uma relação complexa, dinâmica e muitas vezes imprevisível entre estas entidades. (ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, 2013). Refere-se, portanto, a fator ambiental o ambiente físico, social e de atitude no qual as pessoas vivem e conduzem sua vida. Estes são barreiras ou facilitadores para a funcionalidade de uma pessoa. A música, portanto, compõe e integra grande parte de nosso contexto social e educativo, independentemente da idade do indivíduo. (CUNHA, 2011). Dessa forma, Cunha (2011) explicita que a linguagem musical estabelece relações e gera significados provenientes da coordenação e ordenação integrada do sujeito, do objeto sonoro e de seu meio social e cultural. Ainda, Silva e colaboradores complementam afirmando que a música tem um efeito de sensibilização de indivíduos, resultando na mobilização corporal, mesmo que inconscientemente, pela desinibição do sujeito a ela submetida (SILVA et al., 2015). O mesmo autor ainda destaca que a música ajuda a atrair a atenção, aumenta a concentração e serve como minimizador dos estímulos indesejáveis do ambiente, causando alívio emocional. OBJETIVO: Revisar na literatura os efeitos da utilização da música como fator ambiental facilitador durante o atendimento fisioterapêutico de crianças e adolescentes com paralisia cerebral. MATERIAL E MÉTODOS: Realizou-se uma revisão bibliográfica com as palavras-chave “música”, “fisioterapia” e “paralisia cerebral”, assim como seus descritores na língua inglesa. Selecionou-se, portanto, estudos dos 10 anos posteriores nas bases de dados: PubMed, Scielo e Research Gate. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Verificou-se, portanto, que a utilização da música fornece estímulo para a neuroplasticidade, promovendo o aprendizado motor, estimulação sensorial além do aspecto lúdico e motivacional que é imprescindível nessa população específica (ALVES-PINTO et al, 2017). Melhorias na marcha do paciente utilizando-se da estimulação rítmica tem sido muito visadas, contudo, estudos apontam para essa intervenção apenas para os primeiros níveis do Sistema de Classificação da Função Motora Grossa (GMFCS) (MARRADES-CABALLERO et al, 2018). Aumentos na pontuação de escalas de independência funcional, como a Medida de Independência Funcional (MIF) e avaliação das atividades de vida diárias, como Barthel foram significantemente observadas (KIM et al, 2016). CONCLUSÃO: Quando se trata do enriquecimento do ambiente fisioterapêutico de crianças e adolescentes com PC e favorecendo o uso de facilitadores nos fatores ambientais, conforme o conceito teórico da CIF, pouco se tem evidência dentre a comunidade científica sobre o uso de instrumentos musicais. Sendo assim, a música deve ser um facilitador ambiental explorado, necessitando de estudos clínicos de intervenção para comprovação de sua eficácia.

 

Publicado
2021-07-27
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental