PERCEPÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA E IMAGEM CORPORAL ENTRE PRATICANTES DE PILATES SOLO, COM BOLA E APARELHOS

  • Giovana Ramos
  • Franciele Pinto
  • William Dhein
  • Renata D’ Agostini Nicolini Panisson

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: O Método Pilates trata-se de um método de condicionamento físico que integra o corpo e a mente, buscando melhorar os movimentos, aumentando o controle, a força, o equilíbrio muscular e a consciência corporal1. Objetiva-se a melhora da coordenação, da respiração com o movimento do corpo, a flexibilidade geral, a força muscular e a postura2. A avaliação da qualidade de vida em praticantes de Pilates vem sendo avaliada na literatura3-6 , focando na comparação entre protocolos de Mat pilates, com bola e aparelhos. Os exercícios no solo são realizados em tapete ou tatames e usam o peso corporal e a gravidade como resistência7. Eles podem ser adaptados com utilização de acessórios como a bola suíça, o magic circle, faixas elásticas e overball3. Dessa forma pode-se variar os níveis de dificuldade, para gerar uma evolução do indivíduo atuante, na medida em que se aprimora a eficiência no exercício[10], bem como a percepção do resultado no corpo do praticante. Assim sendo, o presente estudo teve como objetivo comparar as características epidemiológicas, qualidade de vida e imagem corporal de praticantes de diferentes modalidades de Pilates (Solo, Aparelho e Bola). MATERIAL E MÉTODOS: Participaram do estudo praticantes de Pilates aparelho (n=20), Pilates bola (n=60) ou Pilates solo (n=20). Foi realizado uma anamnese de caracterização (idade, peso, altura, IMC, tempo de prática, sexo, cirurgia, lesão, dor e medicação), a aplicação do questionário de qualidade de vida SF-36 e a escala de Imagem Corporal. A análise estatística foi realizada no software SPSS v20.0 onde foram verificadas as normalidades dos dados escalares (Kolmogorov-Smirnof) e realizados as comparações dos grupos por meio da ANOVA fatorial e as associações entre variáveis nominais através do teste de qui-quadrado. RESULTADOS E DISCUSSÕES: O grupo solo apresenta maiores IMC, idade, tempo de prática, uso de medicação, presença de lesão e dor quando comparado ao grupo bola e grupo aparelho. O grupo solo também apresenta menores capacidades funcionais, limitação por aspectos físicos e emocionais. Não houve diferença na percepção de imagem corporal entre os grupos. Existe uma associação entre o grupo e o IMC, no grupo bola existem mais indivíduos normais; no grupo solo é composto por mais pessoas com sobrepeso e no grupo aparelho, pessoas classificadas como normais. O aumento da idade está associado a alterações morfológicas e funcionais, maiores danos moleculares e celulares e presença de doenças crônicas, além do pobre comportamento adaptativo celular, agravados por fatores psicoemocionais e sociais, resultando no declínio da capacidade funcional8. Em vista disso, a presente pesquisa especula que no grupo solo, variáveis biológicas como a idade (56,7± 8,9), sobrepeso (60%), obesidade (15%) e presença de patologias (50%) foram preponderantes nos resultados de capacidade funcional (74,5 ± 19,3) e limitação por aspectos físicos (66,2 ± 40,7), propondo que os escores de qualidade de vida expressam mais sobre as características sociodemográficas da amostra, do que uma provável associação com a modalidade do Pilates praticada. No tocante às limitações por aspectos emocionais (61,6 ± 40,8). Perracini et al (2019) afirma que desequilíbrios na homeostase corporal, seja de natureza física, psicológica ou social podem diminuir a capacidade funcional, tendo em vista as limitações físicas que geram restrições à participação social e consequentemente os sentimentos negativos e baixa motivação, que podem ter contribuído para nossos resultados8,9. Outro aspecto considerável em relação ao grupo solo, é a característica do público feminino ser majoritário (85%): Segundo Camargos (2007), no Brasil, apesar de mulheres idosas apresentarem maior expectativa de vida em relação aos homens, estas vivem mais anos com incapacidade funcional em virtude de maior vulnerabilidade e doenças crônicas9. No tocante a verificação da imagem corporal, não houve diferenças entre os grupos, mesmo que os índices de IMC fossem diferentes entre eles, parecendo os participantes de cada grupo são semelhantes em suas percepções. Segundo Filho (2021), o Pilates na população idosa é capaz de melhorar a força, mobilidade, marcha, equilíbrio estático e dinâmico, bem como os benefícios na qualidade de vida e bem-estar10. O estudo de Lim (2021), verificou que Pilates e Yoga auxiliam na promoção de saúde e melhora na aptidão física e mental11. CONCLUSÃO: Pode-se observar maiores IMC, idade, tempo de prática, uso de medicação, presença de lesão e dor, menores índices de capacidade funcional, limitação por aspectos físicos emocionais no grupo solo em comparação aos grupos bola e aparelhos. Não houve diferença na percepção da imagem corporal entre os grupos.

Publicado
2021-07-27
Seção
Saúde Pública: estratégias de saúde familiar, promoção de saúde pública, epidemiologia, vigilância sanitária e ambiental