PERCEPÇÃO DE PACIENTES COM PARALISIA CEREBRAL ACERCA DA REABILITAÇÃO COM GAMETERAPIA

  • Franciele Duarte Ferreira Centro Universitário da Serra Gaúcha- FSG
  • Estéfani Pimentel De Moura
  • Daiane Giacomet
  • William Dhein

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: A Paralisia Cerebral (PC) é uma condição neuromotora crônica infantil que pode afetar o tônus e a postura, bem como a motricidade em geral. (ELAD et al, 2018). A gameterapia é uma opção de reabilitação multidisciplinar que pode ajudar a melhorar a propriocepção, coordenação motora, força muscular, atividade cerebral, concentração e equilíbrio. Além disso, a gameterapia pode melhorar a marcha de forma lúdica e interativa (CARVALHO et al, 2014). Assim, avaliamos a percepção dos pacientes sobre a eficácia da gameterapia como método de reabilitação. MATERIAL E MÉTODOS: Sete pacientes com paralisia cerebral diparética ou hemiparética participaram de um programa de gameterapia utilizando o Nintendo Wii (NW) durante 8 semanas. Cada sessão teve duração de 30 minutos e ocorreu uma vez por semana. Ao final do período, os participantes foram submetidos a uma entrevista semiestruturada. Para relatar as percepções dos pacientes, foram atribuídos nomes fictícios. A análise dos dados foi realizada por meio da técnica de análise de conteúdo de Bardin. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Os dados qualitativos foram categorizados como "A fusão do real e virtual como estratégia motivacional na fisioterapia" na categoria "a". Os participantes relataram suas percepções pessoais e corporais relacionadas à experiência virtual, o que foi corroborado pelas observações das pesquisadoras registradas em diário de campo. Ao serem questionados sobre a reabilitação por realidade virtual, todos os participantes responderam desconhecer tal terapia, embora todos conhecessem jogos de vídeo game. Cristiano Ronaldo foi o único que jogou o NW, possivelmente devido à baixa renda socioeconômica das famílias dos demais participantes. Esse resultado é semelhante ao estudo de Sá e Rabinovich (2006), que identificou que a renda familiar per capita de Sete das onze famílias em vulnerabilidade social era inferior a um salário mínimo após o nascimento de uma criança com deficiência física. Dois participantes preferiram o tênis, três preferiram o boxe, um preferiu o boliche e um preferiu o beisebol. Os colaboradores CR7 e Anastácia, que apresentam diferentes topografias da paralisia cerebral, relacionaram sua preferência ao fato de terem um domínio melhor com uma das mãos, o que trazia maior destreza ao jogo. Durante as partidas de tênis, especialmente Anastácia, com domínio da mão esquerda, apresentou desempenho equivalente às raquetadas de um jogo de tênis real. Os participantes que preferiram o boxe justificaram sua escolha ao fato desse jogo ser bastante dinâmico. Nos relatos de Macris e Martha, ambas hemiparéticas, foi possível perceber que a atividade as estimulava a usar todo o corpo, o que pode auxiliar as células não afetadas a executar a transmissão de novas informações neurais aos membros que apresentam alguma lesão (ADAMOVICH & FLUET, 2010). Embora Prado et al (2013) afirmem que os hemiparéticos tendem a negligenciar seu hemicorpo comprometido, a realização dos movimentos durante o jogo pareceu auxiliar nesse processo. A realidade virtual tem a capacidade de estimular a criatividade e ajudar pacientes a superar medos, traumas e limitações físicas. Em um estudo recente (Buyuk et al., 2021), os pacientes jogaram utilizando equipamentos como cama elástica, bosu e disco de propriocepção, sendo gradualmente desafiados a realizar atividades mais complexas. Como resultado, houve uma melhora significativa na confiança e controle corporal, com pacientes recebendo atendimento fisioterapêutico ao longo da semana. Esse estudo se alinha a outras pesquisas que mostram como a terapia baseada em realidade virtual pode melhorar a performance motora em crianças (Pavão et al., 2014). Além disso, a realidade virtual oferece treinamento mais intenso e feedback sensorial em três dimensões, simulando situações da vida real (Montero & Zanchet, 2003). CONCLUSÃO: A fusão do real e virtual pode ser uma estratégia motivacional eficaz na fisioterapia, proporcionando aos pacientes uma experiência lúdica e desafiadora que pode ajudá-los a superar medos, traumas e limitações físicas. A realidade virtual também oferece um treinamento mais intenso e feedback sensorial em três dimensões, simulando situações da vida real, e pode ser usada para melhorar a confiança, o controle corporal e a performance motora. Embora a renda socioeconômica possa ser um fator limitante para o acesso a essa terapia, a realidade virtual ainda pode ser uma opção viável para muitos pacientes. A terapia baseada em realidade virtual pode ser uma ferramenta valiosa para fisioterapeutas, permitindo que eles ofereçam tratamentos mais eficazes e personalizados aos seus pacientes.

Publicado
2023-08-14