ANÁLISE SOBRE A ESCOLHA DE ALIMENTOS EM ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO

  • Ana Lúcia Hoefel Centro Universitário da Serra Gaúcha
  • Ingrid Simonaggio
  • Jéssica Chilanti Sabedot
  • Maiara Lizott Frizão

Resumo

Autores indicam que, na atualidade, há inadequação das práticas alimentares adotadas na infância (CARVALHO et al., 2015), visto que a alimentação saudável se dá através dos princípios determinados por Pedro Escudero “Quantidade, Qualidade, Harmonia e Adequação”, (ESCUDERO, 1934) e a alimentação nos dias atuais tem sido baseada em alimentos pouco saudáveis, especialmente entre as crianças (CARVALHO et al., 2015). A escola é um local de colaboração que serve como catalisador da aprendizagem e da mudança de comportamento em relação à alimentação, sendo que este fato pode estar relacionado à merenda escolar e/ou atividades educacionais com os alunos (VESTENA; SCREMIN; BASTOS, 2018). É o caminho para novos conhecimentos, sendo assim deve-se considerar a opinião dos alunos sobre os ambientes naturais e sociais nos quais estão imersos, o que inclui seus hábitos alimentares. Neste contexto, nota-se que programas de intervenção escolar com foco em atividades de educação nutricional vêm sendo realizados no público infantil em todo o mundo, visando conscientizar as crianças para que façam escolhas de alimentos saudáveis e aumentem a sua preferência e consumo diário (EZENDAM et al., 2012). É fundamental que a criança desenvolva o hábito de comer alimentos variados, evitando a monotonia da dieta, no entanto, é típico que eventualmente aceitem certos alimentos depois de rejeitá-los inicialmente, porque isso faz parte de como as crianças aprendem naturalmente sobre novos sabores e texturas. (LIMA et al., 2012). Deste modo, o presente estudo tem como objetivo avaliar o conhecimento sobre alimentos saudáveis e não saudáveis em escolares da rede de ensino municipal e estadual situadas no interior do Rio Grande do Sul. MATERIAL E MÉTODOS: O presente estudo trata-se de uma pesquisa quantitativa e exploratória, realizada por alunas do curso de Nutrição da FSG como parte do itinerário extensionista, da qual participaram 122 crianças com faixa etária entre 7 e 8 anos em escolas da rede de ensino municipal e estadual, as quais eram situadas no interior do Rio Grande do Sul. Realizou-se atividade educativa, a qual iniciou com a distribuição de figuras de alimentos saudáveis e não saudáveis para cada aluno. Eles deveriam analisar em qual característica o alimento se classificaria (saudável/não saudável). No quadro, haviam dois cartazes com as palavras ‘saudáveis’ ‘não saudáveis’ e eles deveriam colocar as figuras nos cartazes que julgavam serem “alimentos saudáveis” e “alimentos não saudáveis”. Ao final, as estagiárias de nutrição analisaram as escolhas explicando “o que” e explicando “por que” estava ou não correto, frisando a importância de consumir os alimentos saudáveis e evitar aqueles que não são saudáveis, como os ultra processados, que possuem altos índices de açúcar, gorduras e aditivos químicos. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Após a análise dos resultados, observou-se que os alunos do 2º e 3° ano, de modo geral, fizeram melhores escolhas, relacionando em menor proporção, os alimentos ultra processados como opções saudáveis. Já dentre os alunos do 1º ano pôde-se perceber que as crianças ainda possuíam dificuldades em diferenciar alguns alimentos. Dentro desse aspecto observa-se que em sua maioria os escolares do 1° ano obtiveram o dobro de erros na categoria ‘alimentos não saudáveis’ se comparado com o 2° e 3° ano juntos, representando 66,6% dos erros cometidos. Na categoria de ‘alimentos saudáveis’ destaca-se que os alunos possuem bons fundamentos de alimentos que devem estar presentes na mesa, pois observamos margem de erro de apenas 5,49%. No estudo de Souza (2014), o qual se realizou uma pesquisa com 30 alunos do 6º ano do Ensino Fundamental com o intuito de entender um pouco sobre a alimentação dos alunos, quando perguntados sobre se possuíam alimentação saudável, os autores observaram que 33,33% responderam 1 a 3 vezes por semana, mesmo percentual (33,33%) dos que responderam 5 a 7 vezes por semana.  Ainda, 16,67% responderam que realizam de 3 a 5 vezes e outros 16,67%, raramente realizam hábitos alimentares saudáveis. Quando questionados sobre a escolha do lanche adquirido na cantina da escola, 6,67% responderam que compram lanches naturais; 16,67% compram lanches assados e grande maioria 76,67% responderam que compram lanches industrializados. Ao questionar quais são os tipos de lanches comprados na cantina da escola, 16,67% responderam ter preferência por chocolates, 33,33% por chicletes e balas, o mesmo percentual (33,33%) têm preferência pelos chips e 16,67% referiram escolher os pirulitos. E, quando questionados se os lanches industrializados são benéficos à saúde, 23,33% achavam que sim e a grande maioria 76,67% considerava que os lanches industrializados não são benéficos à saúde. CONCLUSÃO: A partir do presente estudo pode-se concluir que, os alimentos classificados como ‘saudáveis’ são identificados de forma mais certeira e facilitada pelos alunos do 1°, 2° e 3° ano, já nos alimentos classificados como ‘não saudáveis’ os alunos apresentam maiores dificuldades para distingui-los corretamente, principalmente entre os alunos do 1° ano. Esse estudo mostra que a escola pode ajudar a determinar, inclusive comportamento alimentar, muito além do ato de ensinar a ler e escrever, mas sim de desenvolver educação alimentar por meio de atividades educativas lúdicas e interativas como dinâmicas sobre alimentação saudável. Por fim, conclui-se a importância das escolas colocarem em sua rotina atividades sobre educação alimentar entre os pais e os alunos logo nas séries iniciais do ensino fundamental, na tentativa de demonstrar aos mesmos que eles podem optar por melhores escolhas e que isso refletirá de modo geral beneficamente no futuro.

Publicado
2023-08-04
Seção
FSG Caxias do Sul - Saúde Pública