PROJETO NUTRIR COM SAÚDE MAIS

PERFIL DE PACIENTES E USO DE MEDICAMENTOS PSIQUIÁTRICOS

  • Márcio Baum FSG Centro Universitário
  • Mariana Andreazza Maitelli FSG Centro Universitário
  • Joana Zanotti FSG
  • Joice Cadore Sonego FSG Centro Universitário

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Na história do Brasil, assuntos relacionados a medicamentos nunca estiveram tão presentes no setor saúde, tampouco no dia-a-dia do cidadão, invadindo os orçamentos familiares, obrigando a decisões quanto a utilização de determinados medicamentos indispensáveis à preservação da saúde (CASTRO, 2000). Uma pesquisa realizada pelo ICTQ (Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação), no ano de 2018, aponta que as recomendações de terceiros, como familiares, amigos e vizinhos compreendem respectivamente 68%, 41% e 27% e de balconistas de farmácia, cerca de 48%, ou seja, os principais prescritores de medicamentosas são indivíduos que não possuem domínio a cerca do tema (TAVARES & GOMES, 2020). A Organização Mundial de Saúde considera que há uso racional de medicamentos quando pacientes recebem medicamentos apropriados para suas condições clínicas, em doses adequadas às suas necessidades individuais, por um período adequado e ao menor custo para si e para a comunidade (AQUINO, 2008). Desta forma, o medicamento deixou de ser somente um instrumento de intervenção terapêutica para converter-se em um elemento complexo técnico e simbólico na sociedade ocidental (ALBALADEJO, 2002). O objetivo do presente trabalho foi avaliar o perfil de pacientes atendidos pelo Projeto Nutrir com Saúde Mais e os medicamentos psiquiátricos utilizados MATERIAL E MÉTODOS:  Trata-se de um trabalho extensionista, para o qual foi feita uma coleta de dados nos prontuários eletrônicos dos pacientes atendidos pelo projeto Nutrir com Saúde Mais, de responsabilidade da FSG - Centro Universitário, em Caxias do Sul, RS, no período de 01 de agosto de 2022 até 17 de abril de 2023, a fim de identificar informações referentes ao perfil dos pacientes, idade, uso de medicamentos e Índice de Massa Corporal (IMC), sendo que ara esta classificação é importante observar o que diz a Organização Mundial de Saúde (OMC), a qual refere que a obesidade é caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura e é avaliado através do IMC = Peso (Kg) / Altura (m)2. Quando o valor está acima de 30 o indivíduo é caracterizado como obeso. uso de medicamentos e objetivos pelo qual o paciente buscou o atendimento. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Foram avaliados no total 151 indivíduos, dos quais 119 eram do sexo feminino e 32 do sexo masculino, as idades variam entre 11 e 69 anos e o peso entre 46,9 kg até 117,5 kg. Ainda, conforme o IMC, 05 indivíduos foram classificados com abaixo do peso, 76 com peso adequado, 44 com sobrepeso, 20 pessoas com obesidade grau I e 04 com obesidade grau II. Duas gestantes não foram classificadas pelo IMC. Os dados também demonstraram que a redução de peso foi o objetivo principal de consulta, fator que vai de encontro à afirmação de que a procura pelo auxílio dietético com nutricionista vem crescendo nos últimos anos, juntamente com o crescimento da obesidade. Fato que se deve em parte à modernização da sociedade, que torna o ato de alimentar-se uma rotina e não um prazer à mesa, quando não se adequa nutricionalmente (LOTTENBERG, 2009). O segundo maior objetivo foi o ganho de massa magra, contabilizando um total de 30 pacientes, o que relaciona-se com a preocupação com a estética na atualidade, onde os indivíduos buscam no atendimento nutricional, um modo de melhorar a alimentação para obter melhores resultados no treinamento físico (JUZWIAK et al., 2000). Estes dados demonstram o interesse de uma grande parte da população em manter-se saudável, uma vez que a alimentação saudável e equilibrada desempenha papel fundamental no bem-estar pessoal dos sujeitos (DEMARIO et al., 2010). Além disso, dos 151 indivíduos avaliados, 23 faziam uso de medicamento para depressão, 03 para transtorno do pânico e 02 para psicose. Dados da literatura mostram divergências entre autores com alguns relatando que os obesos podem apresentar uma probabilidade até 25% maior para problemas psicológicos, especialmente depressão e ansiedade, (SIMON et al., 2006), enquanto outros não encontram diferenças (FABRICATORE & WADDEN, 2003). CONCLUSÃO: Conclui-se que a população estudada em sua maioria busca o emagrecimento e os medicamentos psiquiátricos estão presentes, mesmo que na minoria dos casos. De qualquer maneira, é importante que os profissionais, de acordo com seu campo de atuação, compreendam o significado dos medicamentos para a população, para que se possam abordar o usuário de forma eficiente nas suas orientações e instituir ações educativas, eliminando, ou minimizando, problemas oriundos da medicação, contribuindo, assim, para a promoção da saúde. Ressalta-se a importância de mais estudos relacionando o excesso de peso e uso de medicações psiquiátricas.

Biografia do Autor

Joana Zanotti, FSG

Nutricionista. Especialista em Clínica e Terapêutica Nutricional. Mestra em Ciências Médicas

Publicado
2023-08-14
Seção
FSG Caxias do Sul - Saúde Pública