A IMPORTÂNCIA DA ORIENTAÇÃO FARMACÊUTICA PARA EVITAR A INTOXICAÇÃO INFANTIL POR MEDICAMENTOS ARMAZENADOS INCORRETAMENTE

  • Ana Carolina Daneluz FSG Centro Universitário
  • Queli Defaveri Varela Cabanellos

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: De acordo com o Conselho Federal de Farmácia (2014), a intoxicação medicamentosa se apresenta em sintomas ou sinais produzidos pelo organismo como uma reação a uma substância ou fármaco injetado, inalado, ingerido ou utilizado na forma tópica. Contudo, essas reações podem ser classificadas como agudas ou crônicas, dependendo de sua intensidade e duração, sendo os sintomas, normalmente, bastante específicos para determinada classe de substância. Ademais, os efeitos tóxicos estão diretamente relacionados com a dose, com o tempo de exposição e com o próprio organismo do indivíduo, uma vez que é absorvido, distribuído, metabolizado e excretado de acordo com as características individuais. MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo buscou as avaliar as intoxicações infantis por fármacos, averiguando o impacto do armazenamento doméstico incorreto de medicamentos, com base na consulta do sistema de dados sobre intoxicações, publicações de órgãos governamentais e 3 artigos acadêmicos selecionados de acordo com o resumo, na língua portuguesa, pela plataforma Google Acadêmico, utilizando os termos “intoxicação medicamentosa”, “intoxicação infantil” e “armazenamento de medicamentos”. É um trabalho exploratório (do ponto de vista de seus objetivos gerais) e qualitativo (no que tange a sua abordagem). RESULTADOS E DISCUSSÕES: Para monitorar e avaliar a ocorrência desses episódios, o Ministério da Saúde instituiu, em 2006, o Sistema Nacional de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), vinculado a Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ), munido a partir de notificações voluntárias de casos de intoxicação por diferentes agentes, como medicamentos, alimentos, cosméticos, inseticidas, químicos em geral e animais peçonhentos, entre outros. No entanto, apesar da disponibilidade de dados, ocorreu uma redução do número de casos de intoxicação justamente por conta da diminuição da participação nos levantamentos, alterando as estatísticas e tornando-as menos fidedignas. Para Balk, Torres, Barbosa, Gollino e Chies (2015), o armazenamento de medicamentos nos domicílios brasileiros é uma prática comum, que tem grande potencial de causar agravos à saúde. Os locais de maior incidência de armazenamento são em gavetas, caixas ou armários, normalmente de fácil acesso, que não impossibilitam o alcance de crianças e, por isso, corroboram para certos casos de acidentes. Visto que a administração acidental é responsável pelo maior número de casos de intoxicação, as crianças são um alvo comum para esses problemas, por conta das formas e cores comumente atrativas dos medicamentos. Moraes, Júnior, Ferreira e Brito (2021) constataram que as crianças de 1 a 4 anos são as mais expostas à intoxicação, pela curiosidade que é naturalmente desenvolvida nessa etapa da vida, e os aspectos fisiológicos farmacocinéticos e farmacodinâmicos são distintos de acordo com o período que o indivíduo se encontra. Em crianças, a absorção por via oral sofre efeito do pH gástrico, que é mais ácido, além da distribuição de substâncias hidrossolúveis ocorrer de forma mais facilitada, visto que o percentual de água corporal é maior do que em adultos. Ademais, a meia-vida da droga pode ser alterada por conta dessa distribuição de água e gordura no corpo e as enzimas diferenciadas nas fases do desenvolvimento metabólico podem influenciar na eliminação dos fármacos (MORAES; JÚNIOR; FERREIRA; BRITO, 2021). CONCLUSÃO: Dessa forma, faz-se necessário amplificar a proteção das crianças para evitar agravos, supervisionando-as principalmente nas idades iniciais, mantendo os possíveis intoxicantes em locais seguros, armazenados em armários altos e trancados, além de preservar a qualidade físico-química do medicamento. Nesta etapa, tem-se que o profissional farmacêutico é de extrema importância, pois é ele que detém os conhecimentos relacionados aos medicamentos e pode orientar se forma segura e correta no armazenamento dos mesmos, atentando-se aos prazos de validade, além do descarte que deve ser realizado em local correto. É imprescindível, ainda, atentar-se aos sintomas frequentemente causados pelos episódios de intoxicação infantil, representados principalmente por dor, vômito, convulsões, dispneia, disenteria, queimação no trato gastrointestinal, confusão mental e mudança na cor dos lábios. Nem sempre os sinais serão imediatos e, portanto, ao aparecerem, a criança deve ser levada imediatamente ao serviço de saúde mais próximo, devendo ser realizada notificação para o SINITOX, que compilará os dados fornecidos e divulgará os perigos e os desafios do fácil acesso de crianças a substâncias possivelmente tóxicas.

Publicado
2023-08-04
Seção
FSG Caxias do Sul - Saúde Pública