A RELEVÂNCIA DO GUIA DO CUIDADO FARMACÊUTICO PARA A COMUNIDADE LGBTI+ COMO PROMOTOR DE HUMANIZAÇÃO DO CUIDADO FARMACÊUTICO

  • Ana Carolina Daneluz FSG Centro Universitário
  • Queli Defaveri Varela Cabanellos

Resumo

INTRODUÇÃO/FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA: Cerca de 12% da população brasileira, correspondente a 19 milhões de pessoas, declaram-se assexuais, lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, de acordo com levantamento realizado pela Universidade de São Paulo (USP) e pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), em 2018. A comunidade LGBTI+ engloba orientação sexual, identidade de gênero e condições biológicas, estando incluída em diferentes etnias, idades e níveis socioeconômicos, distribuída heterogeneamente por todas as regiões do país. Apesar de representar uma parcela significativa da população, a comunidade sofre diariamente incontáveis desafios, ressaltando a defasagem do acesso à saúde e do despreparo profissional da área (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DO ESTADO DA BAHIA, 2021). MATERIAL E MÉTODOS: Este estudo buscou compreender a importância do Guia do Cuidado Farmacêutico para a Comunidade LGBTI+ e entender as dificuldades enfrentadas por essa população no âmbito da saúde pública, com base na consulta ao Guia, em políticas governamentais e em 1 artigo acadêmico selecionado de acordo com o resumo, na língua portuguesa, pela plataforma Google Acadêmico, utilizando os termos “porcentagem” + “LGBTI+” e “LGBTI+” + “Brasil”. É um trabalho exploratório e qualitativo. RESULTADOS E DISCUSSÕES: Com intuito de reduzir a distinção de acesso à saúde, entre o público geral e a comunidade LGBTI+, foi instituída a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis Transexuais (PNSI-LGBT), em 2011, estruturada em quatro eixos para articular estratégias de combate à desigualdade: acesso da população LGBT à atenção integral à saúde, ações de promoção e vigilância em saúde para a população LGBT, educação permanente e educação popular em saúde com foco na população LGBT e monitoramento e avaliação das ações de saúde para a população LGBT. Dentro disso, é imprescindível que haja a participação de diversos profissionais da área da saúde, incluindo o farmacêutico. Portanto, para promover a redução das dificuldades resignadas, o Conselho Estadual de Farmácia da Bahia criou o Guia do Cuidado Farmacêutico para a Comunidade LGBTI+ - primeiros passos para um atendimento humanizado e criação de ambientes mais inclusivos. Dentro disso, tem-se que o profissional farmacêutico é extrema importância para a orientação deste público, visto que pessoas LGBTI+ sofrem frequentemente de depressão e ansiedade, possuem tendência à automutilação, ao uso excessivo de substâncias, ao tabagismo e ao uso recreativo de drogas ilícitas e álcool, sendo fundamental a orientação quanto ao uso de psicotrópicos e as prováveis interações medicamentosas, além do incentivo a hábitos saudáveis e acompanhamento médico sempre que necessário. Especificamente para pessoas trans e travestis, a hormonização, constituída pela administração de estradiol para mulheres, aliado aos antiadrógenos, e testosterona para homens, induz mudanças corporais e deve ser alvo da farmácia clínica, com individualização da farmacoterapia, decisões conjuntas com a equipe multiprofissional, monitoramento dos padrões de segurança e da eficácia e educação contínua do paciente em relação ao uso racional de medicamentos (CONSELHO REGIONAL DE FARMÁCIA DA BAHIA, 2021). Ademais, a prevalência de HIV e outras ISTs é alta, por conta da prática sexual desprotegida e de fatores sociais estruturais, como falta de acesso à saúde e à educação, além das grandes taxas de abusos que o público LGBTI+ sofre (SPIZZIRRI, G., EUFRÁSIO, R.A., ABDO, C.H.N. et al, 2022). Nessa situação, é papel do farmacêutico realizar orientações, fazer a distribuição de preservativos, oferecer a testagem rápida para ISTs e executar a Profilaxia Pré e Pós-Exposição ao Risco de Infecção pelo HIV (PrEP e PEP), conforme os preceitos de integralidade, universalidade e igualdade do SUS (BRASIL, 1990). CONCLUSÃO: Dessa forma, o profissional farmacêutico contribui intensamente para a inclusão da população LGBTI+ e a humanização do acesso à saúde, uma vez que é o último e, por vezes, único profissional da saúde a instruir o paciente. Sendo assim, o Guia do Cuidado Farmacêutico para a Comunidade LGBTI+ é altamente relevante para orientar o farmacêutico e oferecer o acesso ao conhecimento que, na maioria dos casos, não é totalmente acessível e de simples entendimento, possibilitando que esse profissional preste atendimento humanizado, acolha o paciente e promovam o Uso Racional de Medicamentos pela comunidade LGBTI+, além de incluir e representar farmacêuticos que também pertençam a essa comunidade. Ademais, deve-se realizar ações de incentivo à divulgação deste material, principalmente em instituições de ensino, a fim de qualificar os acadêmicos para que os mesmos se tornem profissionais qualificados e participem de equipes multiprofissionais de saúde capacitadas.

Publicado
2023-08-04
Seção
FSG Caxias do Sul - Saúde Pública